sábado, 16 de janeiro de 2016

Seis Pin-ups e dois pin-upos

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Adelíria & Liradélia
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Líria Porto e Adélia Prado se conheceram numa vendinha de beira de estrada ali pras bandas de Bambuí, que fica mais ou menos a meio caminho entre Araxá e Divinópolis. Isso, já lá se vão seis décadas: Líria tinha 9 anos e Adélia, 19. Encostada no balcão, Adélia tomava um Sustincau e escrevia num pedaço de papel de embrulho. Líria comia uma maria mole e xeretava a loja toda. E quando percebeu aquela moça bonita quieta no seu canto, tratou logo de ir bulir com ela:
– Fazendo o para casa, moça?
– Ahn?... Ah, não. Estou só anotando umas besteiras.
– Oba! Besteira é comigo mesma, uai. Posso ler?
– Bem, não sei se você vai gostar – disse Adélia, estendendo o papel para a menina.
– “Enquanto tu me vês esbaforida, a perseguir o rastro de uma estrela intangível, eu lavo e passo, serenamente, a tua fantasia de nunca vestir...” – Líria leu em voz alta. –  Caralho, quanta palavra bonita da porra!
– Cruz credo, você é desbocadinha, hem?
– Melhor que desbundadinha, né não?
– Verdade. Além do que não sou contra os palavrões, apenas conheço poucos, quase nenhum, sabe?
– Se quiser te ensino uns oitenta ou noventa. Só dos bem cabeludos, sei mais de vinte!
– Façamos o seguinte, Líria. Você me ensina um palavrão para cada palavra bonita que eu lhe ensinar. Pode ser?
– Topo. Mas por cada palavrão cabeludo cobro cinco palavras bonitas. E o maior de todos custa dez!
– Qual é?
– Pagamento adiantado...
– Certo. Lá vai: clarineta, península, catedral, girassol, embevecido, plenilúnio, cordilheira, pérola, astrolábio e alumbramento. Cadê meu palavrãozão?
– Enfia no macambúzio da itaquaquecetuba!
E dessa animada troca de vocabulário nasceu uma amizade tão promissora que Líria e Adélia logo criaram uma dupla: Adelíria & Liradélia. Desde aquela época até hoje, elas têm se apresentado nos mais variados palcos de Minas e cercanias. Fantasiadas, as duas cantam e dançam juntas ritmos que vão do cateretê ao cancan. Mas a grande atração do espetáculo é o momento em que Liradélia declama seus poemas, sempre pontuados pelos impropérios de Adelíria. Por exemplo:
Liradélia – Te espero e não me canso, desde, até agora e para sempre...
Adelíria – Um empata foda, esse puto!
Liradélia –  ...amado que virá para pôr sua mão na minha testa...
Adelíria – Procurando nela seus próprios chifres, cornudo!
Liradélia –...e inventar com sua boca de verdade
o meu nome para mim.
Adelíria – Maria Fode Nunca!

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 Rossana e suas bruxarias high tech
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Maga pós-moderna, Rossana Mazza Masieiro causa repulsa e indignação nos meios bruxológicos conservadores. Para começar, onde já se viu uma bruxa assim, bonita e gostosa – sem olheiras e boca banguela, sem cabelos ressecados e desgrenhados, sem narigão adunco e três ou quatro verrugas espalhadas pelo rosto? Além disso, Rossana só trabalha com equipamentos high tech. Seu caldeirão dispensa colherão de pau e fogueira: gira movido a motor, tem timer e esquenta por microondas. Sua varinha mágica é a laser e multifocal, o que permite, por exemplo, que ela, com um único gesto, transforme em sapo dúzias de príncipes ao mesmo tempo. E tem mais: ela só aparece montada numa vassoura porque, nos anos 50, quando George Petty desenhou a imagem fonte que usei aqui, eram nessas geringonças jurássicas que as bruxas voavam. Mas se vocês olharem na garagem do luxuoso e aconchegante consultório da Rossana, verão estacionados lá três ou quatro aspiradores de pó, cada um mais potente e lindão que o outro!

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 Therezão, meu spray de banana-passa


Minha amiga Thereza Duarte não é tão linda quanto a Ava Gardner. É mais, muito mais linda. Fazia neguinho engasgar com a comida e derramar o chope quando adentrava o Café Lamas na época em que a conheci: final dos anos 70. Hoje essa cinquentinha esfogueada me parece ainda muito bonita, o que vem reforçar a minha tese de que quem vive e convive com gentileza e bom humor não fica feio nunca. Além dessas duas belas qualidades, Thereza tem ainda uma outra que julgo digna de figurar no Guinness: a de melhor mau hálito do mundo. Sabe essas reuniões de trabalho no final do expediente, quando todo mundo está com a barriga roncando e a boca expelindo odores que variam entre o de carniça e o de cocô? Pois quando minha amiga participava o ar ficava mais respirável, como se inundado de aromas primaveris. Porque o mau hálito da Thereza tem – acredite se puder – cheiro de banana-passa!


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Luana Dias... e Noites
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Luana luana
lua e iguana/ filha hermana
bela bacana/ copa cabana
água murana/ voa chalana
terra cigana/ vai caravana
arde e abana/ beija e esgana
a vida insana/ a fé que engana:
zarabatana.

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 Arlete Zadra , o abacaxi descascado
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Única árvore da família das plantas bromeliáceas, a Arlete Zadra é encontrada somente numa pequena região do Brasil, um inusitado enclave de mata madagasquenha em pleno pantanal matogrossense.  Classificada botanicamente como Ananas Zadrii , irmã portanto dos abacaxis, ela não oferece o risco de arranhar quem consome o seu dulcíssimo fruto, porque este já nasce descascado. De hábitos frugais, essa sensual espécie vegetal costuma fazer longas caminhadas por todo o seu habitat, além de praticar ioga, artes marciais, levitação, cerâmica maiólica, palavras cruzadas e badminton.


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 Urubula Ribeiro


Esse uniforme aí – você tem razão, leitor – é horroroso. Mas releve, porque o Lula Ribeiro, que é o que de fato importa, até que ficou bem bonitinho, né? E ele é um urubu do bem, só come carniça de animais predadores, como certos políticos, magistrados, apresentadores e locutores de TV, síndicos, vizinhos fofoqueiros, religiosos que fazem sermões contra a nossa vontade, sogras e vendedores de telemarketing.  Mas, é claro, depois ele toma medicação pesada para prevenir problemas gastrointestinais, surtos psicóticos e até morte por envenenamento. Lula mora na Ilha do Governador, mas se o Pesão aparecer por lá será comido na hora, garante o nosso amigo. Mas vivo, Lula??? “Vivo é o cacete” – diz ele. – “Esse é um dos muitos que já bateram as botas e não sabem!”


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                Sylvio de Alercanguru


Sylvio de Alencar começou sua vida de marsupial como gambá, e até chegar a canguru cumpriu um árduo percurso. “A vida de gambá não era fácil” – diz ele. – “Por causa do odor nada agradável que a espécie exala, as garotas não queriam nem papo comigo. E ainda tinha de aturar a zoação de me chamarem de Esgoto Ambulante, Zé Peidão,  Perfume de Lombriga...” Então Sylvio se tornou um coala, bicho mais cheiroso e bonitinho cujo temperamento dócil combina bastante com nosso amigo. O problema é que os coalas são caçados implacavelmente por muitos animais e pelos aborígenes, já estando seriamente ameaçados de extinção. Daí Sylvio tentou ser um Diabo da Tasmânia, o mais feroz dos marsupiais. Mas não conseguiu passar no vestibular, desclassificado por desistência, após perder onze dentes tentando devorar um tatu. Já estava conformado com a idéia de ser um gambá até o fim de seus dias quando, por muita sorte, há três meses pintou uma vaga para canguru em Vinhedo, megalópole que fica na fronteira do Sul da Austrália com o Nordeste de São Paulo. Sylvio está feliz da vida com seu novo status, quase não se importando com o fato de as canguruas possuírem duas vaginas, o que seria até maravilhoso se isso não implicasse em ter um pênis bifurcado, o que, além de ainda causar-lhe uma baita confusão mental durante o coito, gerou-lhe um novo apelido que detesta: Forquilha de Estilingue.

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2 comentários:

Sylvio de Alencar. disse...

Líria Porto e Adélia Prado...; Rossana Mazza Masieiro...; Thereza Duarte...; Luana Dias...; Arlete Zadra...; e de quebra, o Lula Ribeiro...; caramba..., estar ombro a ombro com tanta gente bacana e linda me faz tão feliz que voltaria para bolsa de mamã só para sonhar que viveria eternamente este dia em que saí no Desinformação...!
Se possível, na próxima vez, dá pra colocar a foto do Gary Cooper no lugar da minha? Sei que ele teve um caso, acho, com o Kirk Douglas, mas tudo bem, não sou homofóbico.
Abração Tuca, emocionado aqui!

Antonio Batalha disse...

A Verdade Em Poesia, está a tentar visitar a todos os seus seguidores, para deixar abraço amigo e agradecer por termos ficado juntos mais um ano,desejar também que este ano lhe traga muitas alegrias, e grandes vitórias.
Atenciosamente. António.
PS. tive de seguir outra vez porque estava sem foto, ou sem endereço.